10 dezembro 2016

É cedo

Não sei nada sobre haiku nem sei onde fica Bisalhães, nunca li Frederico Lourenço nem tenho (ainda) nenhuma garrafa do último Barca Velha.

Mas sei onde se comem as melhores tapas de Madrid.

09 dezembro 2016

Ipsis verbis (ou o plágio, capítulo primeiro, adivinhe quem apeteceu a Pipoco plagiar hoje)

Imagine o distinto e atento público que sou confrontado com uma situação deveras embaraçosa e que alguém que prefiro não identificar, podia ser a Rita das fotocópias mas não é, não vale a pena especularem, podiam arrancar-me o fígado que não me arrancariam um nome, acontece que fígado só se tem um, se fossem os rins ainda podia ser mas o fígado faz-me muita faltinha, de maneiras que não digam a ninguém mas trata-se da Dona Odete das limpezas, não, essa é a da secretaria geral e é a Doutora Odete, a que está no centro do furacão é a Dona Odete das limpezas, sim essa, a dos óculos muito graduados, ora sucede que me vieram informar que a Dona Odete tem uma página bastante alternativa, nem pensem que vou dizer que o endereço é bizarriasdaodetecomcobras.com, vejam a página e aquilatem os conteúdos, nomeadamente o link que está no canto inferior direito, quase não se vê mas é o caminho para as situações mais alternativas, o resto é para meninos, e depois vinde cá dizer-me se é de dar um toque à Dona Odete sobre o perigo que pode ser para a vida dela a rapaziada saber assim das coisas a frio, sem um aquecimentozinho nem nada, ou se é melhor deixar correr o marfim, ide e vinde cá dizer-me que eu estou meio atordoado e nem estou em mim, com a breca, uma pessoa que parece que nem batata sabe dizer duas vezes seguidas e vai-se a ver e afinal é danada.

Plagiar é fácil

Copiarem-me as letras nunca me incomodou muito, ao lado de problemáticas verdadeiramente traumáticas como o Paulo Oliveira a jogar fora de posição em Varsóvia ou eu ter que passar a conduzir um Volvo muito grande, copiarem-me as letras é coisa menor, olho para as minhas expressões icónicas, com a patine que oitenta e sete anos de blogs lhes proporcionam, pespegadas em blogs de más letras e quase me comovo por os ver ali, deslocados, como se fossem um volante de um Rolls Royce atamancado num Opel Corsa, concedo um momento ou dois a pensar que aquilo são pessoas do bem a apreciarem tanto a minha obra, a beberem com tanta sofreguidão a minha palavra que a coisa acaba por se lhes entranhar no cérebro, a mim cabe-me olhar para a coisa com compaixão, afinal estou cá pelo convívio e isto é só uma forma diferente de ajudar velhinhas a encontrar a porta de embarque para Ibiza.

(Vou experimentar a sensação, pegar nas boas ideias dos meus blogs ali do lado e fazer de conta que sou um tipo brilhante.)

07 dezembro 2016

06 dezembro 2016

Eu...

... que empurro as portas que têm lá escrito "Empurre" e puxo as que têm escrito "Puxe", que estaciono sempre dentro dos limites das linhas brancas do lugar de estacionamento, que atravesso sempre na passadeira, que dou prioridade a senhoras grávidas nas filas do teatro, que aviso quando me atraso mais de um minuto, que marco sempre mesa no restaurante, afinal...

Ruben Patrick pergunta

Como é pessoal? Somos Palmeirim ou somos Carlos do Carmo?

05 dezembro 2016

04 dezembro 2016

As minhas discussões mais quase trágicas?

Tive-as quando comecei a discutir por discutir, apenas pelo gozo do contraditório, pela beleza de argumentar só para que o outro lado não ficasse sem ponto de vista.

O Porto, depois de eu o correr


E ao quinto dia?

Ora, ao quinto dia apanha-se o das sete e cinco para Madrid, regressa-se no das três e quarenta e cinco, tem-se duas reuniões das más em Lisboa e segue-se para o Porto porque se tem uma vontade súbita de ver os Miró...

01 dezembro 2016

Não tentem fazer isto sem ajuda de profissionais

Em três dias seguidos apanhar o vôo das sete e cinco para Madrid e regressar no das quatro da tarde.

Ao quarto dia, fazer as compras de Natal.

28 novembro 2016

Post das oito

Aprende a cozinhar.Ainda não inventaram melhor remédio para expulsar demónios que cozinhares para ti. Não guardes o teu melhor vinho para uma data especial que pode nunca acontecer. Guardá-lo para beber com o teu pai, isso sim, pode ser. Escolhe sempre bons livros, nunca se sabe quando uma mulher bonita te verá a lê-los. Não há nada mais afrodisíaco para uma mulher bonita que observar um homem absorto na leitura de um bom livro. Não escolhas Ulisses, de Joyce, não dá grande resultado. Aprende a gostar de coisas realmente valiosas. A tua lenha a arder na lareira enquanto Miles Davis toca baixinho, sem te distrair das letras de Herberto Hélder é uma coisa valiosa. Abraçar a tua mãe também. Adopta um cão. Um cão grande. Ele far-te-à feliz enquanto corre ao teu lado, os dois a cheirar a giesta e molhados da bruma da manhã. Vai aos Açores. Dorme pelo menos uma vez ao relento na ilha das Flores. Não acredites em tudo o que escrevem as pessoas dos blogs. A não ser que seja o blog do Pipoco Mais Salgado.

27 novembro 2016

Acabou de acontecer

Era uma dessas mulheres que às vezes encontramos nos anúncios Chanel, mas esta estava numa livraria das que não são em centros comerciais, procurávamos livros nos mesmos cinco metros quadrados, suficientemente próximos para lhe sentir o odor a Poison e para que notasse quão demasiado bonita era, depois ela pegou no Vaticanum e acabou-se a magia, talvez ela tenha notado porque olhou para mim e, com um meio sorriso, disse "Não é para mim", mas era demasiado tarde.

26 novembro 2016

Coisas do dia

Espremer num copo o sumo de um limão, Juntar uma dose de cola e duas de rum em condições. Mexer bem e pensar que mais valia ter pedido uma aguardente velha.

Uma maçada, Ruben Patrick. Uma maçada.

Um dos grandes enigmas por resolver, Ruben Patrick, é que elas não aceitam que nós nos eclipsemos, que, pura e simplesmente saiamos de cena, aquilo que para nós é um facilitador de processos, sair da vida delas no preciso momento em que achamos que não devemos lá estar, para elas é o cabo dos trabalhos, elas exigem explicações, querem saber dos porquês, propõem alternativas que não interessam a nenhuma das partes, não vêem vantagem na disrupção, não aceitam a maravilha do corte a direito, interessa-lhes mais a perda de tempo que é escalpelizar os motivos do que a beleza do porque sim.

23 novembro 2016

Em loop

Aquela maneira de Cohen dizer "I´m ready, my Lord" também vos desassossega?

Oremos

Talvez devêssemos ter gravado na alma o sentido das palavras ditas por Moustaki nesse hino que é "La vie en rose", talvez já não vamos a tempo de fazer o que nos conta Pessoa nessa tirada genial que nos convida a construir castelos com as pedras que encontramos no caminho, talvez já não nos lembremos do tremor que sentimos quando nos abraçámos enquanto o sol se levantava no mar que bordejava as areias da Costa Vicentina num certo Agosto, talvez essa ode à beleza de envelhecermos juntos que encontrámos nas palavras singelas de "A Cabana junto à praia" se tenha perdido para sempre, talvez a ternura que nos inebria nos filmes de Tarantino ou as cítaras que nos comovem em Mozart ou a luminosidade de Dublin no Natal já nada nos digam.

Mas teremos sempre Paris, tal qual Brigitte Bardot e Alain Delon no "Regresso de Jedi"

22 novembro 2016

Eu e mais cinquenta mil e quarenta e cinco


A blogger que se afronta, capítulo quatro

Nunca peças desculpa pelo que escreveste.

(se não estiveres a perceber, eu explico-te melhor, em tendo tempo...)

21 novembro 2016

A blogger que se afronta, fascículo onze

Em estando o circo armado, a caixa de comentários em fogo e o mundo dos blogs unido, zurzindo no pobre blogger prevaricador, uma dizendo dele que coisa e tal, outra afirmando que sabe de fonte certa que ele não é grande espingarda em certas e determinadas situações, outra ainda clamando que isto e aquilo, é altura de expelir o último anel de fumo do Cohiba, tomar o último trago de cognac e interromper o jogo de poker, é tempo do blogger bocejar longamente, esticar as mãos numa espreguiçadela dolente e, enfim, interferir no curso dos acontecimentos, cirúrgico, determinado, confiante, é agora o tempo de influenciar as massas, mostrar um outro prisma, uma visão fora da caixa, se elas lhes apontam a má qualidade dos peúgos é arranjar-se um concurso de mostrar peúgos de mau ar, se o tema da afronta for um desconhecimento qualquer é espetar-lhes com um desses posts em que nada bate certo, é fazê-las rir, há logo quem lembre que um homem que faz rir as mulheres é um portento de inteligência, e logo as outras dirão que sim, não há quem o possa negar, e num par de horas está o ciclo invertido, as que ainda agora atazanavam o bom blogger cantarão hossanas, as que se afrontavam pensarão de si para si que laboravam no erro, em dois tempos haverá bloggers afrontadas contra bloggers afrontadas, dizendo umas das outras o que Maomé não disse do toucinho, é então chegado o tempo de o blogger se afastar, voltar para o disco de Brel com a agulha do gira discos em suspenso, escolher um bom livro da biblioteca e repousar enfim, verificando que o bom velho mundo está de novo nos eixos e que tudo está muito bem assim.

(a seguir, desde que se vislumbre um números superior a três comentários neste post, um novo fascículo sobre a temática de nunca se pedir desculpa por um post que se escreveu)